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12 de jan. de 2011

ATÉ QUE A MORTE OS SEPARE


Quem não escutou a frase: “Até que a morte os separe?”. Hoje, porém, é mais adequado dizer “até que a sorte os separe”, considerando que os índices de separação e divórcio chegam a 50%, com previsões ainda piores para o futuro. Na verdade, quando duas pessoas se unem, não se sabe o que pode acontecer. As bases sobre as quais a relação conjugal começa são apenas intuitivas, emocionais, uma confiança ou uma esperança. Ademais, como leciona Zygmunt Bauman, falando da fragilidade dos vínculos humanos: “O amor está muito perto da transcendência; é apenas outro nome do impulso criativo e, assim, está carregado de riscos, já que toda a criação não sabe qual o seu produto final”. Amar, antes de tudo, significa abrir a porta para o desconhecido, a mais sublime das qualidades humanas. Mas, no percurso do amor, nem tudo serão flores. Há uma grande quantidade de riscos e obstáculos que a própria rotina, a urgência, a incerteza, a falta de tempo, a pouca intimidade e o individualismo vão construindo. O mais grave, no entanto, é adotar um padrão de vida fundamentado em mitos de pouca credibilidade, mas de larga aceitação social. Dentre os mais conhecidos, podem ser citados: o mito da metade da laranja – a crença de que se escolhe o parceiro que estava predestinado e que essa foi a única escolha possível; o mito da exclusividade – crença de que o amor romântico só pode ser sentido por uma única pessoa por vez; mito do casamento – crença de que o amor romântico deve conduzir a uma união estável do casal e isso só pode acontecer pelo casamento; mito da onipotência – crença de que “o amor pode tudo” e que deve prevalecer acima de tudo e de todos, alheio aos obstáculos externos e internos da vida conjugal; mito da durabilidade ou da paixão eterna – crença de que o amor romântico e passional dos primeiros meses pode e deve perdurar depois de milhares de dias e noites de convivência; mito da fidelidade – crença de que os desejos de paixão, românticos e eróticos, devem ser satisfeitos exclusivamente como uma única pessoa, o próprio parceiro; mito do livre-arbítrio – crença de que os sentimentos amorosos não são influenciados de forma decisiva por fatores sociobiológicos-culturais; mito da equivalência – crença de que os conceitos de “amor” e “paixão” são equivalentes. Se um parceiro deixa de estar perdidamente apaixonado, não ama mais o outro; mito da união do casal – crença de que o casal é algo natural e universal, pois, em todas as épocas e culturas, o ser humano procurou, por natureza, encontrar um par. Edilson Santana - Promotor de Justiça. Jornal O Estado.

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